quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Santos Inocentes

A festa dos Santos Inocentes é do século V, pouco mais ou menos. A morte destas crianças manifesta, a seu modo, a realeza de Jesus. Foi por ter acreditado nas palavras dos Magos e dos Príncipes dos Sacerdotes, por ele consultados, que Herodes viu no Menino Jesus de Belém um rival, e perseguiu com carnificina o "Rei dos Judeus", que acabava de nascer. Mas, como canta a Igreja: "Cruel Herodes, que receias tu da vinda de Cristo? Não arrebata os cetros mortais, aquele que dá os reinos celestes".


É a glória deste Rei Divino que os Inocentes proclamam com a sua morte e a honra que eles dão a Deus é um motivo de confusão para os inimigos de Jesus, porque, longe de conseguirem o fim que se propunham, não fazem mais que dar cumprimento às profecias, as quais anunciavam que o Filho do Homem voltaria do Egito e que em Belém seria grande o choro das mães lamentando a morte dos filhos. E para pôr mais ao vivo a desolação dessas mães, Jeremias evoca Raquel, mãe de Benjamim, chorando a perda de seus descendentes. Mãe compassiva, a Igreja reveste os seus ministros de paramentos de cor vermelha que lembra o sangue derramado pelos inocentes.

Confessemos nós por uma vida isenta de vícios a divindade de Jesus que estas almas inocentes confessaram com a morte.

A festa de hoje também é um convite a refletirmos sobre a situação atual desses milhões de "pequenos inocentes": crianças vítimas do descaso, do aborto, da fome e da violência. Rezemos neste dia por elas e pelas nossas autoridades, para que se empenhem cada vez mais no cuidado e no amor às nossas crianças, pois delas é o Reino dos Céus. Por estes pequeninos, sobretudo, é que nós cristãos aspiramos a um mundo mais justo e solidário.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

bênção Urbi et Orbi




"Deus não está longe: está perto. [...] Não é um desconhecido: tem um rosto, o rosto de Jesus", disse Bento XVI aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano, por ocasião daMensagem de Natal com a bênção Urbi et Orbi [Sobre a cidade de Roma e o Mundo].
O encontro aconteceu às 9h (horário de Brasília - 12h em Roma) e o Pontífice concedeu a bênção em 65 línguas, a partir do Balcão central da Basílica de São Pedro.






"Verbum caro factum est – o Verbo fez-Se carne" (Jo 1, 14).



Queridos irmãos e irmãs, que me ouvis em Roma e no mundo inteiro, é com alegria que vos anuncio a mensagem do Natal: Deus fez-Se homem, veio habitar no meio de nós. Deus não está longe: está perto, mais ainda, é o "Emanuel", Deus conosco. Não é um desconhecido: tem um rosto, o rosto de Jesus.
Trata-se de uma mensagem sempre nova, que não cessa de surpreender, porque ultrapassa a nossa esperança mais ousada. Sobretudo porque não se trata apenas de um anúncio: é um acontecimento, um fato sucedido, que testemunhas credíveis viram, ouviram, tocaram na Pessoa de Jesus de Nazaré! Permanecendo com Ele, observando os seus atos e escutando as suas palavras, reconheceram em Jesus o Messias; e, ao vê-Lo ressuscitado, depois que fora crucificado, tiveram a certeza de que Ele, verdadeiro homem, era simultaneamente verdadeiro Deus, o Filho unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (cf. Jo 1, 14).
"O Verbo fez-Se carne". Fitando esta revelação, ressurge uma vez mais em nós a pergunta: Como é possível? O Verbo e a carne são realidades opostas entre si; como pode a Palavra eterna e onipotente tornar-se um homem frágil e mortal? Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido, e a Sagrada Escritura apresenta-nos precisamente a grande história do amor de Deus pelo seu povo, com o ponto culminante em Jesus Cristo.
Na realidade, Deus não muda: mantém-se fiel a Si mesmo. Aquele que criou o mundo é o mesmo que chamou Abraão e revelou o seu próprio Nome a Moisés: Eu sou Aquele que sou… o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó… Deus misericordioso e compassivo, cheio de amor e fidelidade (cf. Ex 3, 14-15; 34, 6). Deus não muda: Ele é Amor, desde sempre e para sempre. Em Si mesmo, é Comunhão, Unidade na Trindade, e cada obra e palavra sua tem em vista a comunhão. A encarnação é o ápice da criação. Quando no ventre de Maria, pela vontade do Pai e a ação do Espírito Santo, se formou Jesus, Filho de Deus feito homem, a criação atingiu o seu vértice. O princípio ordenador do universo, o Logos, começava a existir no mundo, num tempo e num espaço.
"O Verbo fez-Se carne". A luz desta verdade manifesta-se a quem a acolhe com fé, porque é um mistério de amor.Somente aqueles que se abrem ao amor, são envolvidos pela luz do Natal. Assim sucedeu na noite de Belém, e assim é hoje também. A encarnação do Filho de Deus é um acontecimento que se deu na história, mas ao mesmo tempo ultrapassa-a. Na noite do mundo, acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. Se a verdade fosse apenas uma fórmula matemática, em certo sentido impor-se-ia por si mesma. Mas, se a Verdade é Amor, requer a fé, o "sim" do nosso coração.
E que procura, efetivamente, o nosso coração, senão uma Verdade que seja Amor? Procura-a a criança, com as suas perguntas tão desarmantes e estimuladoras; procura-a o jovem, necessitado de encontrar o sentido profundo da sua própria vida; procuram-na o homem e a mulher na sua maturidade, para orientar e sustentar os compromissos na família e no trabalho; procura-a a pessoa idosa, para levar a cumprimento a existência terrena.
"O Verbo fez-Se carne". O anúncio do Natal é luz também para os povos, para o caminho coletivo da humanidade. O "Emanuel", Deus conosco, veio como Rei de justiça e de paz. O seu Reino – bem o sabemos – não é deste mundo, e todavia é mais importante do que todos os reinos deste mundo. É como o fermento da humanidade: se faltasse, definhava a força que faz avançar o verdadeiro progresso, o impulso para colaborar no bem comum, para o serviço desinteressado do próximo, para a luta pacífica pela justiça. Acreditar em Deus, que quis compartilhar a nossa história, é um constante encorajamento a comprometer-se com ela, inclusive no meio das suas contradições; é motivo de esperança para todos aqueles cuja dignidade é ofendida e violada, porque Aquele que nasceu em Belém veio para libertar o homem da raiz de toda a escravidão.
A luz do Natal resplandeça novamente naquela Terra onde Jesus nasceu, e inspire Israelitas e Palestinos na busca de uma convivência justa e pacífica. O anúncio consolador da vinda do Emanuel mitigue o sofrimento e console nas suas provas as queridas comunidades cristãs do Iraque e de todo o Oriente Médio, dando-lhes conforto e esperança no futuro e animando os Responsáveis das nações a uma efetiva solidariedade para com elas. O mesmo suceda também em favor daqueles que, no Haiti, ainda sofrem com as consequências do terramoto devastador e com a recente epidemia de cólera. Igualmente não sejam esquecidos aqueles que, na Colômbia e na Venezuela, mas também na Guatemala e na Costa Rica, sofreram recentemente calamidades naturais.
O nascimento do Salvador abra perspectivas de paz duradoura e de progresso autêntico para as populações da Somália, do Darfour e da Costa do Marfim; promova a estabilidade política e social em Madagáscar; leve segurança e respeito dos direitos humanos ao Afeganistão e Paquistão; encoraje o diálogo entre a Nicarágua e a Costa Rica; favoreça a reconciliação na Península Coreana.
A celebração do nascimento do Redentor reforce o espírito de fé, de paciência e de coragem nos fiéis da Igreja na China continental, para que não desanimem com as limitações à sua liberdade de religião e de consciência e, perseverando na fidelidade a Cristo e à sua Igreja, mantenham viva a chama da esperança. O amor do "Deus conosco" dê perseverança a todas as comunidades cristãs que sofrem discriminação e perseguição, e inspire os líderes políticos e religiosos a empenharem-se pelo respeito pleno da liberdade religiosa de todos.
Queridos irmãos e irmãs, "o Verbo fez-Se carne", veio habitar no meio de nós, é o Emanuel, o Deus que Se aproximou de nós. Contemplemos, juntos, este grande mistério de amor; deixemos o coração iluminar-se com a luz que brilha na gruta de Belém! Boas-festas de Natal para todos!


bênção Urbi et Orbi







segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ordem de Santo Agostinho Ganha mais um Sacerdote


No dia 11 de dezembro, na paróquia Santa Rita de Cássia, na cidade de Santa Rita de Ouro Preto - Minas Gerais, o Frei Agostiniano, Haroldo Moreira Filho foi ordenado sacerdote pela imposição das mãos de Dom Francisco Barroso Filho, Bispo Emérito da Diocese de Oliveira-MG. Caso peculiar foi o fato de que Frei Haroldo foi batizado por Dom Barroso, quando este era pároco em Santa Rita de Ouro Preto.
A celebração foi um marco festivo e religioso para a pequena Santa Rita de Ouro Preto, situada nos vales circundados de Montanhas e muito verde. Cidade que se fez mais mineira no testemunho da acolhida aos Freis e padres que estiveram ali em missão, preparando a ordenação, como também aos visitantes que vieram de outras localidades e paróquias. O dia da Ordenação esteve marcado pela movimentação de visitantes na cidade e animada pela corporação musical vinda da cidade de Mariana-MG, banda que conduziu Frei Haroldo de sua residência até a capela onde os religiosos se paramentaram para a procissão até a Matriz. Também o grupo de congada animou o povo e conduziu Frei Haroldo até a capela.
A celebração contou com a presença de vários sacerdotes religiosos e diocesanos, com o Vicário Regional Frei Paulo Gabriel e o Prior Provincial da Espanha, Frei Miguel Angel Orcasitas. Também os formandos do Vicariato, amigos e familiares lotarama  Igreja matriz e celebraram com alegria e fervor a eucaristia.  O rito de ordenação foi marcado por muita emoção e profunda acolhida na fé e na fraternidade ao novo sacerdote.
Frei Haroldo irá exercer seu ministério sacerdotal, a partir de janeiro, em Belo Horizonte, auxiliando também na casa de formação do Aspirantado Santa Mônica.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira das America Latinas


No México, corações de vítimas ainda palpitando eram oferecidos ao ídolo asteca. Maria Santíssima aparece esmagando a serpente

O santuário mariano mais visitado do mundo não é o de Lourdes (França), nem Fátima (Portugal) ou Aparecida, mas sim o de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México, que recebe anualmente 20 milhões de pessoas.

Nossa Senhora de Guadalupe é a padroeira de todo o continente americano, e sua festa é celebrada em 12 de dezembro. Embora Catolicismo já tenha tratado do tema em suas edições de dezembro de 1974 e dezembro de 1981, voltamos a ele devido ao seu alto significado para os americanos de todas as latitudes; e também porque a riqueza do assunto permite novas abordagens.

Adoradores da serpente

Antes da conquista do México pelo espanhol Hernán Cortés, em 1521, os índios maias e astecas adoravam um ídolo em forma de serpente, em honra do qual ofereciam horríveis sacrifícios humanos.

No cimo de pirâmides, estendiam a vítima sobre uma pedra, de costas, atada pelos pés e pelas mãos, ficando assim com o peito muito teso.

Com enorme navalha, os feiticeiros abriam o peito da desventurada vítima e arrancavam-lhe o coração, o qual, ainda palpitando, era oferecido ao ídolo.

Somente na inauguração do templo principal de Tenochtitlan (hoje Cidade do México), foram massacrados 80.000 indígenas, cujos corpos eram servidos depois em refeições canibalescas.

Com a ação evangelizadora dos espanhóis, tais abominações foram sendo eliminadas.

Aparições ao índio Juan Diego

Em 1531, Nossa Senhora apareceu quatro vezes ao índio Juan Diego, pedindo-lhe que fosse construída uma igreja naquele local, hoje situado na capital mexicana.

O humilde e ardoroso devoto nativo transmitiu o pedido da Virgem Santíssima ao Bispo do México, mas este pediu um sinal que o confirmasse. Na quarta aparição, Nossa Senhora realizou um estupendo milagre, para que todos nela acreditassem.

Nossa Senhora ordenou a Juan Diego que subisse ao alto de um morro, e recolhesse as flores que ali encontrasse. Era pleno inverno, e o monte só produzia espinhos...

O vidente não hesitou. Correu para o local indicado e encontrou muitas rosas. Colheu-as e levou-as à Mãe de Deus, que as ajeitou bem no manto do índio, e mandou que as entregasse ao Bispo.

Juan Diego obedeceu incontinenti e, diante do Prelado, abriu seu manto, deixando cair as belas rosas. No lugar onde estiveram as flores, no manto do índio, ficou estampada uma imagem de Nossa Senhora, de 1,30 m de altura. A Virgem está coberta por um manto verde claro, tem os olhos voltados para baixo, as mãos postas, e pisa uma meia-lua (a qual, aliás, é símbolo do islamismo).

A ciência comprova o milagre...

O caráter milagroso da pintura de Nossa Senhora de Guadalupe foi comprovado pela ciência.

O cientista austríaco Richard Kuhn, Prêmio Nobel de Química de 1938, declarou que os pigmentos corantes da imagem não pertencem nem ao reino vegetal, nem ao animal, nem ao mineral. Logo, sua origem é sobrenatural e, portanto, milagrosa.

Um técnico submeteu a pintura ao processo de digitalização, que consiste em dividi-la por meio de computador, em microscópicos quadradinhos, de maneira a caberem 27.778 em cada milímetro quadrado. Cada um deles foi depois ampliado 2.000 vezes, dando então a possibilidade de serem vistos pormenores imperceptíveis a olho nu.

Nos olhos da Virgem... o índio Juan Diego!

Pôde-se então verificar, representada nos olhos da Virgem, a mesma cena que se passou em 1531, no palácio episcopal da Cidade do México: um índio no ato de desdobrar seu manto diante de um franciscano (Dom Zumárraga, primeiro Bispo do México, pertencia à Ordem de São Francisco de Assis), em cuja face se vê rolar uma lágrima; além dos dois, aparecem um jovem emocionado, com a mão segurando a barba, uma mulher com cabelos encaracolados, um índio com o dorso nu, em atitude orante, um homem, uma mulher e vários meninos de cabeça raspada; e, finalmente, outros religiosos franciscanos.

A que esmaga a serpente

É muito simbólico o significado do nome Guadalupe. Helen Behrens, uma das maiores especialistas no assunto, analisando textos originais dos índios, que datam da época das aparições, concluiu que a Mãe de Deus se apresentou com as palavras "Te Quatla Lupe", que significa "Aquela que esmaga a serpente de pedra".

A propósito disso, cabe lembrar a passagem da Sagrada Escritura em que Deus, dirigindo-se à serpente infernal, increpa: "Ela (Nossa Senhora) te esmagará a cabeça" (Gen. 3, 15).

Assim, nos primórdios da história do Novo Mundo cumpriu-se literalmente a profecia divina: Nossa Senhora de Guadalupe esmaga a serpente de pedra, o horrível ídolo diabólico sedento de sangue humano!


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Imaculada Conceição




A  Imaculada Conceição é segundo o dogma católico, a concepção da Virgem Maria sem mancha ("mácula" em latim) do pecado original. O dogma diz que, desde o primeiro instante de sua existência, a Virgem Maria foi preservada por Deus, da falta de graça santificante que aflige a humanidade, porque ela estava cheia de graça divina. Também professa que a Virgem Maria viveu uma vida completamente livre de pecado.

Esta verdade, reconhecida pela Igreja de Cristo, é muito antiga. Muitos padres e doutores da Igreja oriental, ao exaltarem a grandeza de Maria, Mãe de Deus, usavam expressões como: cheia de graça, lírio da inocência, mais pura que os anjos.

A Igreja ocidental, que sempre muito amou a Santíssima Virgem, tinha uma certa dificuldade para a aceitação do mistério da Imaculada Conceição. Em 1304, o Papa Bento XI reuniu na Universidade de Paris uma assembleia dos doutores mais eminentes em Teologia, para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem. Foi o franciscano João Duns Escoto quem solucionou a dificuldade ao mostrar que era sumamente conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois a Santíssima Virgem era destinada a ser mãe do seu Filho. Isso é possível para a Onipotência de Deus, portanto, o Senhor, de fato, a preservou, antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo.

Rapidamente a doutrina da Imaculada Conceição de Maria, no seio de sua mãe Sant'Ana, foi introduzido no calendário romano. A própria Virgem Maria apareceu em 1830 a Santa Catarina Labouré pedindo que se cunhasse uma medalha com a oração: "Ó Mariaconcebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós". 

No dia 8 de dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus do Papa Pio IX, a Igreja oficialmente reconheceu e declarou solenemente como dogma: "Maria isenta do pecado original".

A própria Virgem Maria, na sua aparição em Lourdes, em 1858, confirmou a definição dogmática e a fé do povo dizendo para Santa Bernadette e para todos nós: "Eu Sou a Imaculada Conceição". 

Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós!


sábado, 4 de dezembro de 2010

Ele veio, Ele vem, Ele virá


Advento é isto: ele veio, ele vem, ele virá. Veio na encarnação. Festejamos isto no Natal. Virá em sua Segunda vinda. Festejamos isto no advento. E vem. E esta não é uma novidade menor que a sua encarnação ou a sua volta gloriosa.
Jesus está entre nós realizando a obra do Pai. Uma vez Jesus disse aos discípulos: “Felizes os olhos que vêem o que vocês estão vendo”. E o que é que eles estavam vendo? Eles estavam sendo testemunhas da presença de Jesus e de sua ação salvadora. Viam-no e ouviam-no. Ele, o prometido de séculos, estava ali.
O aguardado das nações estava na sua frente, falando e agindo. Isaías tinha falado dele: o rebento de Jessé, nascido do tronco decepado do povo eleito. Malaquias tinha predito a sua ação como a do fogo do fundidor, purificando o seu povo dos seus pecados. Zacarias, pai de João Batista, falara dele como a luz do sol nascente que nos veio visitar. O rebento de Jessé, cheio do Espírito de Deus, estava ali marcando um novo começo para o povo sofredor.
O mensageiro de Malaquias, revelando a maldade do coração humano, estava ali restaurando os excluídos. A luz do sol nascente estava brilhando. “Felizes os olhos que vêem o que vocês estão vendo”. Nem todo mundo podia enxergá-lo. Viam, mas não o compreendiam. Ouviam-no, mas não o entendiam. Nem o aceitavam.
Numa bela oração, Jesus atribuiu ao Pai esta façanha: escondeu essas coisas aos sábios e inteligentes. E as revelou aos pobres e pequeninos. Sim, aqueles corações humildes podiam entendê-lo.
Os humilhados o reconheceram. Por isto a sua oração: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque revelastes estas coisas aos pequeninos. Sim, Pai, porque foi do teu agrado”. Os discípulos o reconheceram, porque eram gente de coração de pobre e mereciam a primeira bem-aventurança: “Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino de Deus”.
Jesus está presente em nossas vidas, em nossas história, construindo o Reino de Deus. Ele veio. Ele virá. E ele está agindo hoje, construindo o Reino de Deus. Foi isto que os pequeninos enxergaram: o Reino está acontecendo pela presença de Jesus. O pobre está tendo vez. O cego, o coxo, o paralítico estão recuperando a saúde. O oprimido, a liberdade. A vida está ganhando da morte. O perdão está superando o ódio.
O Reino de Deus está acontecendo. É Jesus quem o está comunicando. Ele comunica a vida de Deus. O Reino é a vida de Deus derramada lá onde impera a morte. O que é preciso agora é reconhecer e acolher Jesus presente fazendo o Reino. Mas, isto é antes de tudo obra do Pai: é ele quem dá a conhecer o filho. Ele veio. Ele virá. Este já está aqui, agora, construindo o Reino: “Felizes os olhos que vêem o que vocês estão vendo”. É isto que é o advento.

Advento Novo tempo litúrgico




O advento é o tempo litúrgico que antecede o Natal. São quatro semanas nas quais somos convidados a esperar Jesus que vem. Por isso é um tempo de preparação e de alegre espera do Senhor. Nas duas primeiras semanas do advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador. Nas duas últimas, lembrando a espera dos profetas e de Maria, nos preparamos mais especialmente para celebrar o nascimento de Jesus em Belém.

Até um tempo atrás se associava o advento com o tempo da quaresma, tempo de jejum e penitência. Mas na verdade, o advento é um tempo de alegre esperança da chegada do Senhor. Jesus vem e isso é motivo de muita alegria. Na verdade, Jesus já veio e virá uma segunda vez. Esse é o ensinamento da Igreja. Mas nosso encontro com Jesus que vem, acontece todos os dias. Jesus vem até nós na pessoa dos nossos irmãos e irmãs, de um modo especial os mais sofredores. Ou mesmo em tantas formas de presença onde o Cristo ressuscitado vem até nós, na oração, na celebração litúrgica ou quando nos reunimos em seu nome. Nosso encontro definitivo com Jesus se dará quando morrermos e partipamos com Ele em sua glória, no seio da Santíssima Trindade. Por isso, nós cristãos somos convidados a viver num constante advento, antecipando, na nossa frágil e muitas vezes debitada história, esse encontro definitivo.
Com o advento inauguramos o 'cíclo do Natal' que se extende até a festa do Batismo de Jesus em janeiro

A Grinalda Do Advento 

Um símbolo que pode nos ajudar a tornar mais celebrativas nossas liturgias no advento é a grinalda, ou coroa do advento. Ela é feita de um círculo de galhos sempre verdes para simbolizar a natureza infinita do amor do Deus para com todos os povos. Quatro velas são acesas e colocadas no círculo uma a cada semana do advento.
A grinalda tradicional traz três velas roxas e uma quarta, a vela da ' alegria ' é cor-de-rosa, que é a cor litúrgica da quarta semana desse tempo. Podem também ser usadas velas azuis para enfatizar nossa esperança na promessa de Deus cumprida no Nascimeno de Jesus. As velas nos lembram a luz de Deus que vem ao mundo para iluminar nossa existência. Elas podem ser trazidas, uma a uma em procissão a cada semana durante a celebração, no início ou na liturgia da Palavra, por exemplo. Ou simplesmente poder ser acesas antes da proclamação do Evangelho. Uma pessoa pode segurar uma das velas enquanto o Evangelho é proclamado. e depois colocá-la na grinalda, antes da homilia. Inclusive o presidente da celebração pode fazer referência a esse gesto no início da homilia, sem se deter em muita explicação, pois a grinalda é um símbolo e todo símbolo não precisa de muitas palavras para ser compreendido, pois muitas vezes 'fala' por si e diferentemente a cada pessoa em particular.